Dois palavrões

Queria me pronunciar, como profissional da palavra, sobre o uso enviesado e segregacionista que certos termos e expressões têm adquirido na arena pública brasileira.
Boa parte de minha formação humanística (sou tradutor-intéprete, graduei-me em filosofia e fiz mestrado em teoria literária; minha principal profissão é a de publicar livros) fizeram de mim uma pessoa bastante atenta às palavras; aos modos de empregá-las, aos seus contextos, aos interlocutores envolvidos.

O que me levou a escrever esse pequeno texto – um misto de posicionamento e convite ao diálogo – foi justamente o uso surpreendente, para não dizer espantoso, de duas palavrinhas numa entrevista de jornal. Vociferadas com violenta indignação, elas ganharam volume e peso: viraram xingamentos. Continuar lendo

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Quando o popular vira pop

por Bruno Berlendis

Esse debate que andou-se aí discutindo pelas semanas passadas me sugere pontes por umas idéias quase desconexas… São na verdade duas ou três observações sobre assuntos bem distintos. Me ocorreram há meses, pretendia (e pretendo) traçar, para cada uma, um encaminhamento diferente. Talvez, como um estágio de maturação, escrever de antemão sobre elas, assim mesmo misturadas, possa trazer algum proveito. Não vou fazê-lo num único post; talvez em dois ou quatro.

O Sainte-Beuve, cujo artigo/manifesto acabei por lembrar ao responder ao Marcello Stasi (ver post anterior), poderia servir de entrada para esta salada de frutas. Continuar lendo

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Livros : ler, julgar ou proibir? (Horizontes)

Fui convidado a participar do programa Metrópolis, da TV Cultura, para discutir a recente polêmica em torno do projeto Livro e Leitura para Todos, que adaptou obras clássicas da literatura brasileira no intuito de torná-las mais acessíveis a um público pouco experiente na leitura de livros. Sobraram-me frases inconclusivas e cotovelos falantes… não soube articular as ideias no timing pressuposto por um programa televisivo. Os mais ressabiados enxergaram uma postura tendenciosa. Meus caros, como disse a vocês, acho esse juízo meio persecutório. Nada disso, não se enganem: pura inépcia minha.
Não sei se minha opinião interessa ou não a alguém; vou tentar expô-la novamente, nem que seja para os amigos e simpatizantes que pouco compreenderam minha afanada gesticulação na tevê.

Vou destacar três aspectos que, ao meu ver, ajudam a contextualizar esse incômodo – e até certa indignação, expressa aqui e ali – que veio à tona na semana passada. Continuar lendo

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Entre o “de propósito” e o “sem propósito”

Esbocei esse blog tempos atrás, era uma ferramenta fechada em que um grupo de editores independentes discutia possíveis planos, oportunidades, essas coisas de negócio (alguém tem de fazer isso, não é mesmo?). Os anos se passaram, nós optamos por outros canais de comunicação. E o blog ficou ali, abandonadinho… e privado.
Estou mudando o seu perfil, assim de um minuto para o outro, para torná-lo público. Não minto: não sei exatamente qual o propósito em fazê-lo. Veremos…

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